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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Fátima Bezerra exclui Wilma de Faria da aliança majoritária com PT e PMDB para a eleição 2014

Fátima Bezerra justifica separação de Wilma: “Eduardo Campos traz dificuldades aqui para uma aliança no campo majoritário”. Foto: Divulgação
Fátima Bezerra justifica separação de Wilma: “Eduardo Campos traz dificuldades aqui para uma aliança no campo majoritário”. Foto: Divulgação
A deputada federal Fátima Bezerra (PT) vetou hoje a aliança do PT com o PSB no Rio Grande do Norte. Ela afirmou que o assunto foi tratado com o presidente nacional do PT, Rui Falcão, na semana passada. “Infelizmente a iniciativa que o governador Eduardo Campos tomou de sair candidato, é um direito que ele tem, mas nós lamentamos essa posição que ele tomou de sair candidato, em um confronto, portanto, ao projeto nacional, à candidatura da presidenta Dilma, e seguramente a candidatura de Eduardo Campos traz dificuldades aqui para uma aliança no campo majoritário entre o PT e o PSB”, afirmou a deputada, durante entrevista ao “Jornal da Cidade”, 94 FM.
Fátima disse, porém, que a candidatura de Eduardo Campos não anula o respeito mútuo que existe entre o PT e o PSB no Estado. “Eu tenho muito respeito pela ex-governadora e hoje vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria. Eu tenho muito respeito pelos militantes do PSB, pelos deputados do PSB, pelos prefeitos do PSB, muitos deles nossos parceiros, então a candidatura de Eduardo Campos, quero dizer, que não anula o respeito mútuo entre o PT e o PSB no Estado, não apaga uma parceria de aliança política ao longo desses 10 anos e, portanto, eu acho que não deve impedir que a gente continue dialogando com o PSB”.
Contudo, a petista, que pleiteia a condição de candidata ao Senado numa articulação com o PMDB, deixa clara a posição do PT nacional em relação ao PSB. “Concretamente, com a candidatura de Eduardo Campos colocada, de fato há uma dificuldade concreta no que diz respeito a uma aliança na majoritária, porque essa é uma orientação nacional”, afirmou Fátima, lamentando porque que o PSB é aliado do PT desde 1989.
Segundo Fátima, não é porque agora o PSB resolveu lançar candidatura própria que o PT não vai reconhecer o passado em que o PSB esteve ao lado do presidente Lula e ao lado da presidenta Dilma. “Agora, lamentamos, eu acho que é um equívoco essa atitude que o governador Eduardo Campos tomou de sair candidato a presidente nesse exato momento. Aliás, lideranças políticas do próprio PSB não concordavam com essa atitude do governador de Pernambuco, tanto é que lideranças políticas do seu próprio partido deixaram, inclusive, o partido, após essa decisão que ele tomou, como os Gomes no Ceará e outros”, afirmou.

DIÁLOGO
Fátima informou que o PT agendou para os próximos dias um encontro partidário com o PMDB, dos líderes Henrique e Garibaldi Filho. Ela disse que o PT no plano local vai realizar uma nova fase de conversas com os partidos. “Nós vamos conversar com todos os partidos aqui que dão sustentação ao governo da presidenta Dilma. O PT tem o dever e a responsabilidade de contribuir para fortalecer o palanque de Dilma aqui no Estado”, afirmou a petista, destacando que as conversas para unificar a base de Dilma no Estado, além de excluírem o PSB, ocorrerão não só com o PMDB, mas também com o PSD de Robinson Faria, o PDT de Carlos Eduardo, o PC do B de Antenor Roberto, o PROS de Ricardo Motta e o PR de João Maia – se este vier a romper com o governo Rosalba Ciarlini.
“O fato é que nós vamos partir para essas conversas agora, movidos exatamente pelo sentimento de responsabilidade que a gente tem em primeiro lugar com o projeto de reeleição da presidenta Dilma. Vamos colocar claramente para esses partidos a prioridade do PT no Rio Grande do Norte, que é disputar a vaga para o Senado, associado a manter a vaga na Câmara Federal, que duramente a gente conquistou ao longo desses 10 anos e ampliar a nossa presença na Assembleia Legislativa. Vamos partir para o diálogo, porque tudo tem que ser construído”, afirmou Fátima.
CHAPA PRONTA
Sobre as notícias de que PMDB e PT já teriam fechado a chapa majoritária numa articulação com Henrique e Fátima, a deputada petista disse ser muito cedo para qualquer definição. “Isso ainda é no ano que vem. Nós vamos iniciar o diálogo. Conversar a gente conversa; é natural. Eu converso, não só eu com as demais lideranças políticas do PT. É natural e é legítimo, e é bom que se converse”, disse admitindo conversas. “Eu tenho mantido conversa com lideranças políticas não só do PMDB. Eu conversei recentemente com o vice-governador Robinson Faria, tenho conversado com lideranças políticas do PDT, como o prefeito Carlos Eduardo; tenho conversado com lideranças políticas do PC do B. Agora uma coisa são essas conversas que eu faço eu meu nome, outra coisa são as conversas em nome do partido”, declarou.
Fátima finalizou afirmando ser “uma mulher de partido”, informando que “as decisões passarão pela instância partidária”. “E é bom mais uma vez aqui dizer que a conversa de partido para partido vai se iniciar ainda. Nós vamos ter a primeira conversa com o PMDB, que deve acontecer, inclusive, agora nesse final de semana. O presidente estadual do meu partido, Eraldo, me ligou, eu fiz o contato com o deputado Henrique Eduardo, formalizando ao deputado que o PT quer uma conversa de partido para partido e nós vamos ter essa conversa com o PMDB, ter a oportunidade de ouvir por parte do PMDB qual o seu horizonte, o que ele está pensando, quais os objetivos estratégicos do PMDB no que diz respeito ao pleito de 2014 no plano regional e o PMDB ouvir também o PT”, declarou.

FONTE: JHRN

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

PT fará verticalização para definir alianças no Estado

Depois da reunião com a direção nacional da legenda, o Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Norte descartou aliança com forças políticas que não defendam a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Na prática, os petistas potiguares farão a “verticalização nacional” das alianças no Estado. Embora a verticalização não seja uma exigência da lei eleitoral, o critério será utilizado nas articulações para formação de acordo e coligação de chapas nas eleições majoritária e proporcional. 
José PatrícioPresidente nacional do PT, Rui Falcão reúne dirigentes estaduais para discutir políticas de aliançasPresidente nacional do PT, Rui Falcão reúne dirigentes estaduais para discutir políticas de alianças

Com essa definição durante a reunião em São Paulo, que teve a participação do presidente nacional do partido, Rui Falcão, o diretório estadual do PT recomeçará as conversas no Rio Grande do Note com os representantes dos partidos que integram a base aliada da presidente Dilma Rousseff. 

“A executiva nacional vai contribuir para construirmos uma chapa majoritária no Rio Grande do Norte”, destacou o presidente estadual do PT, Eraldo Paiva. A declaração sinaliza que os líderes nacionais poderão intervir junto aos aliados para comporem coligação com o PT no Rio Grande do Norte.

Eraldo Paiva descarta que os petistas trabalhem com o cenário de não lançarem um chapa com candidato a governador e optar pela disputa ao Senado, com Fátima Bezerra, e com os nomes da proporcional, de deputados estaduais e federais. “O PT não é um partido saci pererê. Vamos ter sim candidato ao Governo e ao Senado”, ressaltou.

Sobre a candidatura da deputada federal Fátima Bezerr ao Senado, Eraldo Paiva disse que essa é uma definição do PT estadual. “Se depender do PT, a deputada federal Fátima Bezerra será sim candidata ao Senado. Vamos construir esse cenário”, ressaltou.

Ele destacou que o PT discutirá com todos os partidos aliados no plano nacional. “Vamos conversar com todos os partidos aliados no plano nacional. Não daremos palanque a legenda que não defenda a campanha da companheira Dilma”, disse o presidente estadual do PT. 

CANDIDATURA PRÓPRIA


Embora afirme que os petistas potiguares buscarão os partidos aliados no plano nacional, o presidente estadual do PT confirmou que é defensor de uma chapa própria tanto para o Governo como para o Senado. 

Questionado se os diálogos com o PSB, da vice-prefeita de Natal Wilma de Faria foram encerrados, Eraldo Paiva, foi reticente. “Vamos ter algumas conversas. Não sei qual será a postura a ser adotada pelos membros do PSB no Rio Grande do Norte”, afirmou.

Ele próprio cita o exemplo do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande que, embora do PSB, já anunciou que ficará neutro na eleição nacional, possibilitando, com isso, a continuidade da aliança com o PT naquele Estado. 

FONTE: TRIBUAN DO NORTE

domingo, 29 de setembro de 2013

Militância vira critério para receber moradia do Minha Casa Minha Vida

Líderes comunitários filiados ao PT usam critérios políticos para gerir a maior parte dos R$ 238,2 milhões repassados pelo programa Minha Casa Minha Vida Entidades para a construção de casas populares na capital. Onze das 12 entidades que tiveram projetos aprovados pelo Ministério das Cidades são dirigidas por filiados ao partido. Suas associações privilegiam quem participa de atos e manifestações de sem-teto ao distribuir moradias, em vez de priorizar a renda na escolha. Entre gestores dos recursos, há funcionários da gestão de Fernando Haddad (PT), candidatos a cargos públicos pela sigla e até uma militante morta há dois anos.
A partir de repasses diretos, as associações selecionadas pelo governo federal escolhem quem vai sair da fila da habitação em São Paulo. Os critérios não seguem apenas padrões de renda, mas de participação política. Quem marca presença em eventos públicos, como protestos e até ocupações, soma pontos e tem mais chance de receber a casa própria.
Para receber o imóvel, os associados ainda precisam seguir regras adicionais às estabelecidas pelo programa federal, que prevê renda familiar máxima de R$ 1,6 mil, e prioridade a moradores de áreas de risco ou com deficiência física. A primeira exigência das entidades é o pagamento de mensalidade, além de taxa de adesão, que funciona como uma matrícula. Para entrar nos grupos, o passe vale até R$ 50.
Quem paga em dia e frequenta reuniões, assembleias e os eventos agendados pelas entidades soma pontos e sai na frente. O sistema, no entanto, fere o princípio da isonomia, segundo o advogado Márcio Cammarosano, professor de Direito Público da PUC-SP. “Na minha avaliação, esse modelo de pontos ainda me parece inconstitucional, além de escandaloso e absolutamente descabido. Ele exclui as pessoas mais humildes, que não têm condições de pagar qualquer taxa ou mesmo de frequentar atos públicos”, afirma.
50 mil pessoas. Os empreendimentos são projetados e construídos pelas associações, que hoje reúnem uma multidão de associados. São mais de 50 mil pessoas engajadas na luta pelo direito à moradia. Além das entidades dos petistas, há ainda uma outra dirigida por um filiado ao PCdoB.
A força política dos movimentos de moradia, que só neste ano comandaram mais de 50 invasões na cidade, pressionam não só o governo federal, mas a Prefeitura. Em agosto, Haddad publicou um decreto no qual se comprometeu a permitir que entidades possam indicar parte das famílias que serão contempladas com moradias em sua gestão. A promessa de campanha é entregar 55 mil até 2016 – as lideranças querem opinar sobre 20 mil desse pacote.
O cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV, ainda alerta para o um efeito colateral do esquema implementado na capital pelas entidades, que é a cooptação política dos associados, com fins eleitorais.
“O governo deve imediatamente intervir nesse processo e rediscutir as regras. Isso remete ao coronelismo. Além disso, a busca pela casa própria não pode ser um jogo, onde quem tem mais pontos ganha.”
Quem é quem. A maior parte das entidades é comandada por lideranças do PT com histórico de mais 20 anos de atuação na causa. É o caso de Vera Eunice Rodrigues, que ganhou cargo comissionado na Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) após receber 20.190 votos nas últimas eleições para vereador pelo partido.
Verinha, como é conhecida, era presidente da Associação dos Trabalhadores Sem Teto da Zona Noroeste até março deste ano – em seu lugar entrou o também petista José de Abraão. A entidade soma 7 mil sócios e teve aval do Ministério das Cidades para comandar um repasse de R$ 21,8 milhões. A verba será usada para construir um dos três lotes do Conjunto Habitacional Alexius Jafet, que terá 1.104 unidades na zona norte.
No ano passado, Verinha esteve à frente de invasões ocorridas em outubro em prédios da região central, ainda durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), e em pleno período eleitoral. Em abril, foi para o governo Haddad, com salário de R$ 5.516,55. A Prefeitura afirma que ela está desvinculada do movimento e foi indicada por causa de sua experiência no setor.
Outra entidade com projeto aprovado – no valor de R$ 14 milhões –, o Movimento de Moradia do Centro (MMC), tem como gestor Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, filiado ao PT há mais de 30 anos e atual candidato a presidente do diretório do centro. Com um discurso de críticas à gestão Kassab e de elogios a Haddad, ele também nega uso político da entidade. “Qualquer um pode se filiar a nós e conseguir moradia. Esse é o melhor programa já feito no mundo”, diz sobre o Minha Casa Minha Vida Entidades.
Ministério diz que desconhece esquema de pontuação. O Ministério das Cidades afirmou desconhecer que a presença em atos públicos, como protestos e ocupações, renda pontos às pessoas que lutam por uma moradia na capital. A pasta informou apenas que as entidades podem criar regras adicionais às estabelecidas pelo Minha Casa Minha Vida, sem a necessidade de aprová-las no governo.
Da mesma forma, o ministério disse que não pode interferir em regras internas dos movimentos de moradia e, por isso, não tem como impedir a cobrança de taxas e mensalidades.
O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP), não quis dar entrevista. Por meio de nota, sua assessoria ressaltou que as entidades não são selecionadas, mas habilitadas a receber verba mediante o cumprimento de uma série de atribuições, como dar apoio às famílias no desenvolvimento dos projetos, assim como na obtenção da documentação necessária. O processo não segue, segundo a pasta, critérios políticos. Além disso, as associações devem se submeter a uma prestação de contas, feita pela Caixa Econômica Federal, que financia as unidades.
FONTE: O ESTADO ONLINE