Na frente da delegacia de plantão da zona Sul, em Candelária, duas humildes figuras passam despercebidas de quem por ali transita. Reginaldo Soares da Silva, 78 anos, e Francinaldo Bezerra do Nascimento, 23, são pai e filho que buscaram segurança, frente às ameaças que vêm sofrendo, desde que foram indicados como suspeitos de um caso de estupro e assassinato em Mãe Luiza.
O crime aconteceu no dia 24 de junho deste ano, quando o corpo de Janiele Medeiros da Silva, 13, foi encontrado nu, com as mãos e pés amarrados, e marcas de violência na cabeça, como constatou a perícia do ITEP. O Instituto Técnico-Científico de Polícia do RN, também revelou que ela sofreu abuso sexual antes de ser morta.
O suspeito afirmou que de acordo com a polícia, Reginaldo Soares foi identificado como a pessoa que estava acompanhando a adolescente na noite anterior. Porém segundo o senhor de 78 anos, um policial da 4ª DP, identificado por ele como Paulo, veio sozinho numa viatura e o chamou para ir até a delegacia, chegando lá ele fez algumas perguntas e tirou uma fotografia dele. Mais tarde o mesmo investigador o levou de volta para a DP, dessa vez como suspeito, para fazer os devidos exames, porém sem provas mais concretas ele foi liberado.
Outra suspeita é de que o tio e a mãe da vítima tivessem uma rixa com o Reginaldo, entretanto em entrevista ele nega essa hipótese, afirmando que não era íntimo da família, e os conhecia só de vista.
O chefe de investigação da 4ª DP, Paulo Macedo, negou que tivesse levado a imagem dele para a família, ele disse ter ido até Francinaldo depois que a família acusou o guardador de carro, pois segundo os familiares ele teria feito isso devido à briga com o tio da vítima. Na ocasião, o desentendimento foi gerado por questões de trabalho.
O vigia disse nunca ter falado com a menina, e a conhecia apenas de passagem. Depois de liberado, as ameaças começaram a surgir, a família da vítima sentindo-se desamparada pela justiça, se puseram a ameaçar de morte o suspeito do crime. Por isso, há dezoito dias ele acampa na frente da delegacia de plantão, localizada em Candelária.
Ele afirma não saber de onde vêm as acusações, nem a motivação delas. Com os olhos úmidos de lágrimas, ele diz ter medo das ameaças contra a sua vida, mas sem perder a esperança de uma saída de sua situação. “Eu queria que as autoridades, primeiramente Deus, olhasse para a gente”.
Na rua eles vivem de doações de alimentos dos próprios policiais, e de alguns populares sensibilizados com a história da dupla. Eles comem quando podem, tomam banho quando é possível, e dormem o mínimo, pois dormindo na rua, em um caso como esse, sempre há o risco de não acordar.
Enquanto isso na casa onde moravam em Areia Branca, todos seus móveis foram queimados em represália, segundo informou Francisco. Ele ainda afirma que foi agredido pela família, e na noite de ontem (08), algumas pessoas jogaram pedras em seu filho Francinaldo Bezerra enquanto elas passavam no ônibus.
Enquanto seu Francisco espera a confirmação de sua inocência, ele promete não sair de onde está. Diz não ter nenhum parente, nem aqui nem no interior do estado. Afirmando não ter para onde ir, a única certeza é de saber para onde não ir: mesmo inocentado do crime, ele não voltará mais para Mãe Luiza.
Como foi noticiado na época do crime, a delegada responsável pelo caso, disse que a família da vítima informou que a garota era usuária de drogas, e não sabiam como ela sustentava o vício.
A investigação segue em andamento pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, conjunta com a Delegacia de Homicídios, e a 4ª DP localizada em Mãe Luiza.
fonte:JHRN
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