sexta-feira, 30 de novembro de 2012

MEDICINA CANINA



Investigadores da Universidade da Georgia, nos EUA, descobriram que um vírus comum em cães e inofensivo para os seres humanos, pode servir como base para o desenvolvimento de novas vacinas.

O vírus parainfluenza 5 (PIV5) provoca infecções respiratórias nos cães e é utilizado para produzir vacinas para estes animais. Agora, os pesquisadores afirmam que ele pode ser utilizado para proteger as pessoas contra doenças para as quais não foi possível ainda produzir uma vacina eficaz.

“Nós podemos usar esse vírus como vetor para todos os tipos de patógenos contra os quais a vacinação é difícil. Já desenvolvemos, com esta técnica, uma vacina muito forte contra a gripe H5N1, e estamos trabalhando em vacinas contra o HIV, a tuberculose e a malária”, afirma o investigador principal Biao He.

O PIV5 não provoca doenças nos humanos, pois o sistema imunitário é capaz de reconhecê-lo e destruí-lo. Ao colocar-se antígenos de outros vírus ou parasitas dentro do PIV5, este torna-se um veículo de entrega que expõe o patógeno ao sistema imunitário, permitindo que este crie os anticorpos que irão proteger o corpo contra futuras infecções.

De acordo com os pesquisadores, essa abordagem não só assegura a completa exposição à vacina, mas também é muito mais segura uma vez que não requer o uso de patógenos atenuados ou enfraquecidos. Por exemplo, uma vacina contra o HIV entregue por PIV5 carregaria apenas as partes do vírus HIV necessárias para criar imunidade, tornando impossível contrair a doença através da vacina.

A segurança é sempre a nossa primeira preocupação. O PIV5 torna muito mais fácil a vacinação sem ter de se utilizar patogénicos vivos”, afirma He.

A utilização de um vírus como mecanismo de entrega de vacinas não é uma técnica nova. Em experiências anteriores, os investigadores enfrentaram muitas dificuldades. Se os seres humanos ou os animais já possuem uma forte imunidade ao vírus utilizado para a entrega, a vacina não funcionará, pois rapidamente será destruída pelo sistema imunitário. Imunidade pré-existente ao vírus é a principal razão a maioria de essas vacinas falharem.

No entanto, no estudo atual os pesquisadores demonstraram que a imunidade ao PIV5 não limita a sua eficácia como mecanismo de entrega, apesar de termos anticorpos contra ele.

Testes com camundongos mostraram que uma dose única de PIV5 protegeu os animais da estirpe sazonal da gripe. Outra dose individual protegeu os mesmos animais de laboratório do H5N1, vírus que provoca a chamada ‘gripe aviária’.

Os cientistas estão confiantes de que a nova abordagem pode servir como excelente base para vacinas contra várias doenças, tanto em animais como em seres humanos.


Fonte:O Dia Online/estudantes rn

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