segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Corpo Jurídico Voluntário garante que os manifestantes entregaram limpa a Câmara Municipal de Natal

Ao afirmar que manifestantes deixaram espaço ocupado limpo, Dayvson Moura confrontou guardas municipais, que estavam no momento da desocupação do prédio. Foto: Wellington Rocha
Ao afirmar que manifestantes deixaram espaço ocupado limpo, Dayvson Moura confrontou guardas municipais, que estavam no momento da desocupação do prédio. Foto: Wellington Rocha
Nenhuma mão de tinta irá apagar da memória das pessoas as imagens da Câmara Municipal de Natal completamente depredada e imunda pelos manifestantes que ocuparam a Casa Legislativa durante dez dias. Apesar de o ambiente ter sido recuperado na manhã de hoje, o lixo encontrado no dia seguinte após a desocupação ainda renderá muitas discussões. Isso porque o Corpo Jurídico Voluntário que solicitou o pedido de habeas corpus para os manifestantes diante da ordem de reintegração de posse, composto por membros do Movimento Social de Defesa do Direito à Liberdade, declarou que, embora não necessário, o grupo que permaneceu no local providenciou a limpeza dos locais ocupados.
A garantia da limpeza do espaço no momento antes da desocupação, por volta das 2h40 do dia 25 de outubro, foi declarada por Dayvson Moura, membro do Corpo Jurídico. Segundo ele, as áreas do pátio externo frontal, corredor lateral e jardim foram deixadas completamente limpas, conforme comprovam as imagens que serão entregues  a  Francimar Dias, juíza substituta da segunda Vara da Fazenda Pública.
O JORNAL DE HOJE teve acesso às fotos mencionadas por Dayvson, que também as publicou em rede social. Apesar de alegar que há como provar a data e hora das imagens feitas, o histórico de ações provocadas pelo Movimento Passe Livre (MPL) levam a crer que as fotos não condizem com a verdade, sendo assim registros de outros momentos da ocupação. Outro argumento levantado é de que os manifestantes recolheram o lixo da vizinhança e jogaram no pátio externo antes de saírem do local.
“Houve o cumprimento de reintegração de posse às 2h40 da madrugada. Estamos entregando hoje as fotos à magistrada, comprovando que, diferente do que foi encontrado, temos registro da limpeza do local. O que aconteceu entre as 2h40 e 5h30, com a chegada da Polícia Militar ao local, é alheio ao nosso conhecimento”, disse Dayvson Moura.
“Não podemos afirmar categoricamente quem foi o responsável pelo o que aconteceu. Garantimos que às 2h40 houve cumprimento da ação, com local deixado limpo. O que acontece no intervalo da saída dos manifestantes e chegada da polícia não sabemos informar”, reforçou o membro do Corpo Jurídico Voluntário.
De acordo com Dayvson, o Movimento Social de Defesa do Direito à Liberdade não tem nenhuma relação com o Movimento Passe Livre, a não ser no que diz respeito à tentativa de manter o direito a liberdade do cidadão. “Nosso trabalho é realizado apenas para garantir o habeas corpus e o cumprimento da reintegração de posse sem o uso de força repressora”, explicou.
De plantão na Câmara Municipal de Natal na madrugada em que os manifestantes desocuparam o local, o guarda Legislativo Francisco Canindé dos Santos disse que em nenhum momento os jovens se dispuseram a limpar o espaço. O guarda ainda acusou o grupo de querer atear fogo no local. “Se eles deixaram o prédio limpo e de repente apareceu esse lixo, quem foi que colocou? A guarda legislativa ou os moradores? Isso é mentira. Além de deixarem tudo daquele jeito, ainda queriam tocar fogo no local, pois estavam com materiais inflamáveis em mãos”, disse.
Em nota publicada na rede social, o Corpo Jurídico Voluntário, através do perfil pessoal de Dayvson Moura, informa que a limpeza e higienização da Câmara Municipal de Natal ocorreu das 20h do dia 24 de outubro até as 02h do dia posterior. Após isto, foi feita uma plenária em agradecimento pelos momentos ali vividos e pelas conquistas ali realizadas.
“Ressalta-se que os manifestantes retiraram-se voluntariamente do local as 02h40m da madrugada do dia de hoje, 25 de outubro de 2013, sendo comunicado a Guarda Legislativa da Câmara Municipal de Natal após a finalização da limpeza e retirada de pertences e objetos pessoais, nada restando pelo pátio”, destaca a nota. Entretanto, a Guarda da Câmara negou a citação que lhe faz referência. “Eles não limparam e não falaram nada conosco. Quando saíram daqui, fechamos o portão com cadeado e com todo o lixo que tinha dentro”, disse o guarda Francisco Canindé dos Santos.
Dayvson Moura informou que não esteve na Câmara no momento em que as fotos da limpeza foram registradas, mas representantes jurídicos do movimento identificados pelas pessoas de Catarina Santos e Sandra Erikson estavam entre os membros do Movimento Social de Defesa do Direito à Liberdade que fizeram o registro do local.
Vereador rebate declarações
Segundo o vereador Adão Eridan (PR), um dos nomes perseguidos pelos manifestantes do Movimento Passe Livre, a versão apresentada por Dayvson Moura não condiz com a verdade. “Ele é um dos baderneiros infiltrados no grupo. Tudo o que ele disse é mentira. Passei diversas vezes por aqui durante a ocupação, inclusive nas madrugadas, e vi o que estava acontecendo. Uso de drogas, bebidas, preservativos e agora querem colocar a culpa dessa sujeira nos guardas legislativos ou na população? São tudo bandidos”.
Segundo o parlamentar, foi o grupo que deixou o lixo no local e é o responsável pelos danos causados ao prédio da CMN. “O lixo foi trazido pelos manifestantes. Nada de guardas ou moradores. Como é que o guarda vai sair de dentro da Câmara Municipal para juntar lixo para trazer para dentro da CMN? E os moradores vão sair de casa de madrugada para fazer isso? É ridículo e vergonhoso ouvir esse tipo de coisa. O pior de tudo é que quem vai pagar por isso a população. O dinheiro para a restauração do prédio deveria sair do gabinete desses vereadores que apoiam essa baderna”, criticou.

JHRN

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